Geralmente, os pré-chiller tem uma renovação de água externa com temperatura em torno de 15°C. Essa água deve ser tratada mantendo uma concentração entre 0,6–0,8 PPM para complementar o nível. O principal ponto de aplicação deve ser por baixo do pré-chiller (parte inferior) em concentrações que podem chegar a 200 PPM. Esses pontos de aplicação devem ser dispostos com uma distância entre 0,8 m a 1 m entre eles por toda a superfície inferior do pré-chiller. Deve-se iniciar a aplicação com o pré-chiller abastecido de água e 50% do volume normal dos frangos que são ali depositados para a assepsia. Deve-se garantir que o residual na parte superior (linha d’água) e com a carga total de aves não seja superior a 1 PPM. Devido à baixa temperatura, por volta de 2°C, não é recomendada a aplicação de dióxido de cloro no chiller. O residual é mantido pelo arraste da água contida nas carcaças dos frangos que são transportados do pré-chiller para o chiller. Depois de retiradas do chiller, as aves são embaladas ou podem ser divididas em partes (manual ou automaticamente) e se for o caso, congeladas.
Água tratada com dióxido de cloro na concentração de até 2 PPMs (residual) é excelente para a lavagem e assepsia das caixas e/ou engradados utilizados para o transporte das aves.
Podemos apontar como principais vantagens da aplicação do dióxido de cloro:
- Oxidação da matéria orgânica presente na água do pré-chiller (menos gordura), oxidação do sangue dissolvido na água, tornando a água clara/bem mais límpida, o que permite maior tempo de utilização;
- Ausência de formação de espumas e ausência de odores na água do pré-chiller;
- Não ocorre a despigmentação das carcaças, mantendo, assim, o aspecto rosado da carne da ave e não ocorre a reação que torna a gordura amarelada;
- Desaparecimento dos hematomas decorrentes do processo, comuns nas carcaças das aves (pontas de asas, esterno etc.);
- Não ocorrem alterações organolépticas e nem presença de odores nas carcaças;
- Salmonellas são eliminadatás, Mesophilae, Coliformes e contagem total de colônias são drasticamente reduzidas;
- Com o tempo de contato de 8 (oito) minutos e residual de 0,6 PPM de ClO2, ocorreu a redução de 50% na contagem total de Mesófilos e de 40% na positividade para Samonella, houve redução de CTC (*) de 106(dez elevado a 6) para CTC 104 (dez elevado a 4). Com residual entre 0,8 e 1 PPM e tempo de contato de 18 minutos, ocorreu uma redução de 90% na contagem total de Mesófilos e de mais de 97% na positividade para Salmonella, e redução na CTC para 102 (dez elevado a 2);
- Maior incorporação de água na carcaça (entre 1 e 2% em peso/ave);
- Não formação ou baixa formação de trialometanos/organoclorados/cloraminas/clorofenois;
- Maior shelf-life das carcaças e dos cortes;
- Menor taxa de corrosão nas tubulações e equipamentos devido às quantidades de dióxido de cloro aplicadas serem significativamente inferiores ao cloro.
(*) CTC = Contagem Total de Colônias

Aplicação de dióxido de cloro em abatedouro de aves
A aplicação de água tratada com dióxido de cloro em abatedouro de aves traz várias vantagens sobre a utilização da água tratada com cloro (na forma de gás: Cl2 ou sob forma líquida/hipocloritos: NaOCl). Um único gerador de dióxido de cloro da JESCO BRASIL pode atender vários pontos de aplicação em um abatedouro. Deve-se levar em conta o ponto de aplicação em que a solução de dióxido de cloro é aplicada em maior concentração. No pré-chiller dependendo do grau de contaminação, pode-se aplicar até 200 PPM para se obter um residual livre entre 0,6 PPM e 1 PPM. Nos outros pontos entre 0,5 PPM e 0,8 PPM deve-se diluir a solução sendo que isso pode ser feito por meio de uma central de distribuição para aplicação em vários pontos. Isso garante uma aplicação segura e sem riscos de intoxicação ou odor forte no abatedouro.
Geralmente, um abatedouro de aves tem o seguinte funcionamento. As aves chegam em gaiolas plásticas e ficam por volta de meia hora sob uma nebulização leve de água fresca para “desestressarem” do transporte. Então, são colocadas vivas de cabeça para baixo em uma corrente transportadora que as leva para dentro do processo. É feito o corte da veia jugular (manualmente ou automaticamente) em seguida as aves entram em um túnel e circulam por um período entre 3 e 4 minutos, onde morrem devido a perda de sangue. O sangue então é coletado e as aves são conduzidas às depenadeiras onde são submetidas a chuveiros com água a aproximados 60°C e às escaldadeiras com água com temperatura próxima dos 85°C para assepsia dos membros inferiores. Atenção: não se deve aplicar água tratada com concentração elevada de ClO2, devido a exudação. A corrente transportadora continua seu curso e, então, são feitas a extração da cloaca e a evisceração via esterno/peito, quando os órgãos internos das aves são depositados sobre o corpo/peito. A correia leva as aves para uma mesa de primeira separação de partes onde, manual ou automaticamente é feita a separação dos miúdos úteis (moela, fígado, coração etc.). Esses miúdos geralmente são depositados em pequenos chillers cuja água deve estar tratada com dióxido de cloro e residual em torno de 0,5 PPM – 0,8 PPM dos demais miúdos ( pulmão/intestinos/etc.), corte dos pés e das cabeças. As aves são recolocadas na corrente transportadora e passam por um chuveiro que faz a lavagem interna e externa da carcaça, neste ponto recomenda-se que a água seja tratada com concentração por volta de 0,5 PPM de ClO2); o transporte segue e é feito o desengate automático ou manual no pré-chiller. O tempo de contato recomendado da ave no pré-chiller é de no mínimo 15 minutos.