Águas e efluentes

O controle operacional de um sistema de desmineralização de água por membranas de osmose reversa se faz pelo monitoramento do SDI (silt density index). Sim, esse parâmetro não só é importante como é mencionado nos termos de garantia de todos os fabricantes de membranas que, em geral, especificam o valor máximo de 3,0. Esse índice é um número puro e representa a capacidade de colmatação de uma água por elementos coloidais. Ou seja, para um SDI maior que 3,0, a probabilidade de entupimento prematuro é maior. No entanto, já sabemos que o pior tipo de colmatação de uma membrana é o que chamamos de bio-fouling. Trata-se da formação de colônias bacterianas que se desenvolvem nas membranas e isso se dá pela presença de compostos orgânicos denominados biodisponíveis, ou seja, que podem ser assimilados pelas bactérias e permitem a sua multiplicação. O problema é que isso pode acontecer numa água com SDI menor que 3,0, já que são compostos solúveis. É por isso que não basta monitorar o SDI. Temos que verificar também a concentração de compostos orgânicos dissolvidos na água com o monitoramento, por exemplo, da TOC (concentração de carbono orgânico total). Ou seja, os planos de manutenção das membranas requerem muito mais cuidados do que a simples dosagem de uma solução anti-incrustante. Deve-se estudar a aplicação correta de soluções biocidas e programar limpezas químicas (ácida e alcalina) periódicas.

Sistemas de tratamento de água e efluentes por membranas de ultrafiltração não se aplicam ao setor municipal (saneamento básico). Apesar de já existirem inúmeras aplicações de ultra-filtração em diversas partes do mundo tanto para água potável como para esgotos domésticos, ainda há, principalmente no Brasil, uma impressão generalizada de que são sistemas economicamente inviáveis. Pois bem, a SANASA (companhia de saneamento de Campinas – SP) acaba de assinar contrato para execução da primeira fase de um equipamento denominado MBR (bio-reator a membranas) para tratar cerca de 600 m³/h de esgotos domésticos. O projeto completo é da ordem de 2.500 m³/h. Além de ser uma implantação de custo competitivo frente aos sistemas tradicionais, principalmente por ter muito menos volume de concreto lançado, permite ao órgão negociar esse efluente tratado com empresas da região, já que a qualidade esperada de saída é muito superior e permite a sua aplicação como água industrial.